amp domain was triggered too early. This is usually an indicator for some code in the plugin or theme running too early. Translations should be loaded at the init action or later. Please see Debugging in WordPress for more information. (This message was added in version 6.7.0.) in /home/joaomanu/magnumwineclub.com/wp/wp-includes/functions.php on line 6131As mesas estavam cheias de jovens – nesta altura foi um prazer ver um restaurante com boa frequência – e as mariscadas (viemos a saber, a 47€) eram, claramente, o prato forte da casa. Mas havia uma missão a cumprir e por isso fomos ao menu da Gastronomia de Bordo.
Na filosofia da Gastronomia de Bordo, serviram-nos triplas entradas do omnipresente bacalhau, já preparadas de antemão, com ovas, bolinhos e croquetes. As ovas mostraram-se competentes, sem pimenta, com azeite, vinagre, salsa e alho. Mas quero reforçar que neste leque de entradas, a primazia foi para os croquetes. Ótimos à vista e ao paladar!







Nos entretantos, demos um olhar à carta de vinhos. É uma das cartas tradicionais da região (leia-se, aposta no Douro e tem tintos a mais para aquilo que são os pratos ex-libris da casa) com cerca de dez vinhos brancos da região dos Vinhos Verdes e alguns Bairradas, em especial nos espumantes. Foi para aí que fomos, para um Abibes Arinto & Baga, deliciosa companhia do prato principal que nos esperava.
A Feijoada de Samos, acompanhada de arroz, veio num tacho de proporções generosas e caldosa q.b. O picante não era forte mas proporcionaram opção que remediou a situação. É uma questão de gosto mas, para mim, a feijoada de samos deve estar bem condimentada. O produto estava feito com qualidade e em quantidade. É de referir, para os entendidos, que seria tecnicamente uma feijoada de boinas mais do que de samos, mas estava boa!
O serviço foi sempre atento, simpático e competente, a olharem para o cliente e com antecipações corretas do que era pretendido. OS meus parabéns!
A equipa não me quis deixar sair sem provar um doce, em especial um que levasse as framboesas que são a menina dos olhos (e o trabalho) do Gilberto Tortas. Tarte de amêndoa e os referidos frutos vermelhos combinaram deliciosamente e terminaram em alta a nossa presença na Marisqueira. E na próxima visita, o Marisco será rei embora o prato mais conhecido da casa seja o “arroz à marinheiro”!
Gilberto Tortas tem esta casa há quase 12 anos. O bichinho da restauração é de origem familiar e, esse tem mais do dobro porque as casas conhecidas da Barra fazem parte do ADN. Surfista e de origem americana-vaguense (nasceu nos EUA onde a família estava emigrada), quando voltou, apaixonou-se pela Barra. E desde os 5 anos, a praia é a sua paixão, tanto que o primeiro trabalho foi para, claro, comprar uma prancha de surf. Actualmente as framboesas são a sua menina dos olhos, que cultiva em Santa Catarina (Vagos)
entradas
OVAS DE BACALHAU
BOLINHOS DE BACALHAU
CROQUETE DE BACALHAU
prato principal
FEIJOADA DE SAMOS
36,00€/2 Pessoas
Marisqueira da Barra
Avenida João Corte Real 137, Praia da Barra
12h00 ~ 15h00 e 19h00 ~ 23h00
informações e reservas 234 040 664 ou 915 471 068
]]>À entrada somos recebidos, como é da praxe, por uma flute de espumante. Encaminhados para o local do repasto, higienicamente limpo à minha vista, solicitei a carta de vinhos pois o restante já estava previamente escolhido.
Copos de qualidade e uma carta de vinhos que se inicia pela região da Bairrada fazem-me brilhar os olhos. A predominância dos brancos também é de louvar, estando a carta também com Dão, Douro, Alentejo, região dos Vinhos Verdes, Espumantes e Champagnes. Boas opções, entre o equilibrado e… as ocasiões especiais. Optei por perguntar o que me sugeriam e dos três vinhos propostos (que estariam equilibrados para as propostas gastronómicas), optei pelo Lote Especial Caves São João Branco, cujas Maria Gomes / Bical / Chardonnay estiveram a preceito por toda a maratona gastronómica.









As honras iniciais foram para a dupla entrada, acabadinha de fazer: os pasteis de bacalhau, com o formato clássico e saboroso recheio ainda estavam muito quentes, mas deliciosos. As línguas fritas, com excelente ponto de sal e quantidade generosa, primam por uma polme macia. Pessoalmente, prefiro a polme mais crocante, mas no global estavam muito boas.
Preparado para os dois pratos principais (posso dizer que os dois comensais irão ficar satisfeitos com o menu), recebi a massada de línguas, feita com cotovelinhos e com uma prevalência enorme aos sabores do mar. Um excelente molho, com picante q.b. em que o tomate, a salsa e brilham e onde os sabores estão todos muito bem apurados. Globalmente apetitosa. Era um pecado ficar sem fome para o “Bacalhau e o Mar” por isso não acabei com a dose completa.
Este prato é uma dose hipergenerosa de um bacalhau “estilo narcisa” mas com o mar à mistura. Feito normalmente com uma posta de bacalhau costa a costa, batatas grosseiramente cortadas e fritas, cebolada no ponto, azeitonas cortadas para apurar sabores, mexilhões e ameijoas. Tudo no ponto e com qualidade. É preciso estar preparado para comer tudo…
É que é preciso mesmo, porque a casa decidiu que quem participasse no Festival tinha direito, na mesma, ao flute, ao couvert e à sobremesa, tudo incluído no preço. Então, veio um cheesecake de frutos vermelhos para a mesa. Final feliz de uma excelente refeição!
Para uma futura visita, recomendo-vos, se preferem os sabores de antigamente, o “Bacalhau e o Alho”. Bacalhau cozido à moda antiga, com cebola, alho, e azeite de qualidade. A salsa e a pimenta preta para apurar sabores. Um prato que relembra as mesas das avós.
Manuel Almeida Santos já é um nome conhecido na restauração aveirense. Criador de inúmeros espaços de qualidade sente-se na Costa Nova feliz com este projeto e aguarda marés com mais alegria. Abrir em tempos de pandemia não é fácil. Abrir e renovar um espaço que era icónico na Costa Nova e que merece voltar a ser.
Um local a visitar, seja no Festival Gastronomia de Bordo ou não!
entradas
LÍNGUAS DE BACALHAU FRITAS
PASTEL DE BACALHAU
pratos principais
MASSADA DE LÍNGUAS
BACALHAU E O MAR
60,00€/2 pessoas (inclui flute de espumante à entrada, couvert e sobremesa)
Clube de Vela da Costa Nova
Avenida José Estêvão s/n, Costa Nova
sexta e sábado 12h00 ~ 15h30 e 19h00 ~ 22h30 e domingo 12h00 ~ 15h30
informações e reservas 234 360 250
]]>Com uma das melhores localizações da Costa, convém, é mesmo importante saberem, que o D.Fernando voltou à mesma família. O filho, o Nelson Almeida, depois de vários anos a arrendar o espaço (entre 2005 e finais de 2016) fez algumas obras e pegou novamente na casa. E se há males que vêm por bem, o COVID lançou-lhe mais um desafio: renovar os clássicos, apresentar novos conceitos e mostrar que o futuro pode ser tão ou mais brilhante que o passado.
Mas já lá voltamos. Admirem as fotos dos pratos porque irei falar do menu, da experiência gastronómica que terão se aproveitarem o Festival Gastronomia de Bordo para conhecerem este espaço. Ou lá voltarem depois de uma ausência.






Aproveitei o bom tempo e fiquei na esplanada. Duas entradas e dois pratos principais estavam à minha espera. A esplanada, pequena de 26 lugares nestes tempos, permite aproveitar duplamente: o almoço e a Costa.
Os olhos também comem é um “lugar comum”. Mas é verdade. As línguas em “beurre blanc”, duas para podermos referir o plural, estavam soberbas. Melhor início, primeiro passo para causar uma boa impressão. A segunda entrada é, quase, um prato principal, pois é o conhecido Brás de bacalhau, aqui em galete, e claro, quantidade com peso e medida.
Manteve a excelente apresentação do primeiro prato, notava-se a qualidade do produto, a crocância inicial e sabores muitos agradáveis. O nível de expectativa estava elevado.
Entretanto, o vinho tinha chegado à mesa. A carta de vinhos é a habitual nestas bandas: Douro e Alentejo em grande quantidade. Optei pela sugestão do colaborador, um Maria Izabel 2018 branco, que cumpriu a sua função com mérito. Quer o vinho quer todo o serviço.
Mas a refeição iria entrar nos seus pontos altos. O cevadoto de samos estava fantástico, com as algas, a chouriça crocante (aliás, o prato tinha várias técnicas bem trabalhadas), os samos bem definidos e de bom tamanho. Tudo delicioso. E a combinação com o segundo prato, com o seu estilo mais clássico, consegue agradar a gregos e troianos. O taco de bacalhau, os grelos, a batata foram um excelente remate para a refeição.
Fernando Almeida, cujos pais estiveram na génese da casa, com a mãe na cozinha e o pai, muito conhecido por ter sido chefe de sala da Marisqueira, e um dos grandes recrutadores naquela que era a “escola” da época para o sector, a fazer a sua arte na mesa, está de parabéns.
Mas está igualmente de parabéns porque arriscou e foi buscar, em 2020, o Fábio Silva, um jovem chef que fez o seu tirocínio por bons nomes do norte, sendo o último o Yeatman e que foi pescar ao Antiquum pelo seu braço direito da cozinha. Está uma nova carta em preparação mas os clássicos, o Ensopado de Rodovalho, o Arroz de Lavagante e a Caldeirada de Enguias, certamente estarão na nova carta, que se vai centrar em bom produto, numa apresentação cuidada e, quem sabe, mostrar a excelência dos nossos mariscos.
Fica a desculpa para lá voltar. Mas eu aconselhava-vos a ir desde já, aproveitando o Festival Gastronomia de Bordo!
entradas
LÍNGUAS COM BEURRE BLANC
BRÁS EM GALETE
pratos principais
CEVADOTO DE SAMOS
TACO DE BACALHAU
25,00€/pessoa
D.Fernando
Avenida José Estevão, n.º 164, Costa Nova
12h00 ~ 16h00 e 19h00 ~ 22h00
Informações e reservas 234 361 308 ou 913 265 321
]]>Um dos clássicos desta zona é a Traineira, ou o Traineira, se nos quisermos referir ao “restaurante”. Um local onde se vai comer comida de “tacho”, de conforto e de prazer.
A experiência gastronómica definida é para duas pessoas e a “meia dose” apresentada era farta e deliciosa. Mas adiante. A entrada veio bem apresentada e bonita, com os clássicos bolos, ovas e “desfiada” (o nome polido para aquilo que estão a pensar) do nosso bacalhau a aparecerem na mesa em forma conjunta, de forma agradável à vista e ao paladar, bem temperados de azeite (que como o vinagre é alentejano, da Herdade do Sobroso).






A rapidez de serviço ficou demonstrada, e bem, no caso do prato principal, o tal tachinho muito aguardado. Dose generosa para duas pessoas, e rapidez de serviço. Vinte e cinco exatos minutos depois de sentado, já o tacho bem nutrido da caldeirada de línguas de bacalhau estava a chegar à mesa. O primeiro impacto foi positivo. Parecia apetitoso, equilibrado de cores e sabores. A confirmação veio às primeiras garfadas. Uma quantidade de línguas que deixa qualquer um satisfeito e um jogo de texturas, conjugado com o ovo escalfado ainda líquido que transforma um prato dito normal numa delicia visual.
No serviço de vinhos, mostraram o cuidado na questão do frappé, copo e na referência a ser a “última” garrafa daquele ano, permitindo-me escolher outra. Continuei no Munda 2017 Encruzado, que cumpriu bem a sua função, com a madeira visível, mas a integrar-se bem com a gordura do prato.
Como sabem olho com grande atenção para a carta e para os vinhos presentes. Esta, pelas condicionantes atualmente existentes, é nos apresentada num tablet, facilmente legível, embora com potenciais melhorias (nomeadamente, para os clientes mais exigentes, a questão do “ano dos vinhos”). Como a maioria das cartas na nossa região, o Douro predomina e a seguir o Alentejo com extensas representações, ou não fosse o restaurante de “wine and food”. A Bairrada encontra-se representada com 20 Tintos e 10 Brancos, onde os clássicos Campolargo, Luís Pato, Saima, São João e Colinas estão bem representados. Ficou a promessa de mais brancos, quando a tempestade amainar.
O João Paulo Costa e a família são “veteranos” nessas andanças. É um restaurante famíliar, na verdadeira aceção da palavra. Desde a cozinheira de mão cheia que nos serviu esta deliciosa refeição ao filho que nos serviu o vinho. E o percurso deles é a a paixão pelo mar e pela Gafanha. Timoneiro, Porão durante muitos anos e agora a Traineira, no espaço icónico onde era o Gafanhão (como sabe quem já leu estas crónicas desde o ano passado). Quanto ao nome do restaurante, também são as memórias familiares, de um café, que todos os dias o faz abrir o espaço!
Os filetes de polvo, as línguas fritas, a feijoada de samos, a caldeirada de enguias e a açorda de gambas são razões mais do que suficientes para lá voltar depois do Gastronomia de Bordo!
entradas
OVAS DE BACALHAU
BOLINHOS DE BACALHAU
BACALHAU DESFIADO
prato principal
CALDEIRADA DE LÍNGUAS DE BACALHAU
35,00€/2 pessoas
Traineira
Avenida José Estêvão 578, Gafanha da Nazaré
sexta e sábado 12h00 ~ 15h00 e 19h00 ~ 22h00 e domingo 12h00~15h00
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Chegar ao espaço onde fui almoçar, o “Leão”, agora “Manel O Leão”, não é difícil. Se dúvidas houvesse, bastaria o enorme simbolo na porta… É o restaurante do mercado, uma churrasqueira que está a evoluir para um espaço confortável, onde a madeira escura é agora a rainha e que tem pormenores do campo e um individual em madeira que salta à vista! O móvel, rotativo, onde estão os apetrechos vínicolas – leia-se, os vinhos existentes – também é de realçar.
Ora, mais uma vez fui à Experiência gastronómica do Festival “Gastronomia de Bordo”. Aqui, as entradas contemplavam pataniscas e caras fritas, seguidas de um rancho de samos de bacalhau e concluídas, a preceito, por bacalhau assado na brasa com migas. Comidinha de conforto, era o expectável.
O primeiro comentário vai para os copos e para os vinhos, demonstrativos da importância que se pretende dar a esse sector. Copos de qualidade e vinhos fora do comum, tendo eu optado pelo Encruzado da Quinta do Perdigão, um belíssimo vinho com um rótulo a condizer e que funcionou perfeitamente com a refeição servida.
À falta das pataniscas, serviram dose reforçadíssima de caras fritas, envoltas em cebola rusticamente cortada e salteadas, e um toque de vinagre a sobressair. As alfaias ficaram um pouco de lado porque as ditas, para serem degustadas até ao fim, necessitam de usarmos as mãos… e que bem souberam. O Rancho, que chegou pouco depois, fazia jus ao nome. Tinha conteúdo, tinha tudo. E também samos bem grandes, com origem em animais de porte. Grão de bico, batata, massa, chouriça, cenoura, pimentos tornaram-se numa refeição que “enche” as medidas!
O bacalhau assado na brasa com migas continua a mostrar a apetência, e o registo, pela comida de conforto pretendida. Couves bem salteadas, pão torrado e azeite a bom nível num prato a preços honestos, fazem perceber o segmento e o público que se pretende atingir.
A casa em que o filho, João Marques, está agora a gerir, é do seu pai, afinal, o “Leão” e o Manel que dá nome à mesma, situa-se há 13 anos no Mercado da Gafanha da Nazaré, com farto estacionamento, um senhor que passou por casas muito conhecidas na Gafanha da Nazaré, como o “Gafi”, “A Tasca” ou, no local onde é actualmente a “Traineira”, “o Gafanhão”. Também foi embarcado, cozinheiro no mar, antes de voltar para terra.
Quem também andou pelo mundo foi o filho, que cursou Gestão Hoteleira na Universidade do Algarve, tendo depois estado em projetos em inglaterra, tendo trabalhado com, entre outros, Gordon Ramsay. Também fez o WSET 3, formação de Sommelier e depois teve espaços no Algarve, como o Terroir e, durante anos, o “Wine Emotions”. Fruto de algumas questões de saúde familiares, voltou às origens e pretende que o espaço tenha mais uso da grelha, também nas carnes de qualidade. E garante que terá ainda mais conforto e mais vinhos, diferentes. A conferir em 2020.
Manel O Leão Mercado Municipal da Gafanha da Nazaré,
Alameda D. Manuel II, Gafanha da Nazaré
quarta a segunda 12h00~14h30 . 19h00~22h00
Reservas: 234 396 086








O desafio era, mais uma vez, provar a experiência gastronómica prevista na “Gastronomia de Bordo”, a saber: creme de ervilha com tártaro de bacalhau; sopa de bacalhau lascado, ovo escalfado e tostas e o Bacalhau à gaúcho mas tive oportunidade de conhecer muito mais.
Numa casa que reabriu no Verão e que ainda está a ser desenhada à imagem dos desejos de André Vilela, um jovem veterano (35 anos) do mundo que aterrou na Costa Nova, sentimos já uma certa identidade e a busca pela perfeição. Num domingo chuvoso, captou a atenção pelos melhores motivos. Tradição com twist parecia a palavra de ordem.
Mesas com espaço, e opções variadas, e na mesa, uma cesta com pão de Vale D’Ílhavo e broa de milho, que poderiam ser apreciados com duas manteigas: a de alho e ervas e a de alcaparras e caril. À entrada, um mimo do chefe, já depois de escolhida a opção “experiência”. Poderia optar entre os panadinhos de atum com maionese, pataniscas de salmão ou azeitonas marinadas. Fomos para os primeiros, que cumpriram a sua função a preceito.
Enquanto isso, analisei a carta de vinhos, que surpreendeu. Mostrou vontade de ter produtos diferentes e de qualidade, sem esquecer alguns valores seguros. Mais uma vez, o Douro era rei e senhor da carta e a Bairrada mostrava-se escondida, com excepção dos espumantes, bem representados. A opção foi para o Quinta Daniel em modo Branco, um grande senhor do Pocinho, um Douro Superior de mestria.
A entrada deslumbrou pelos sabores. O creme de ervilha estava espesso e delicioso e o tártaro de bacalhau, com flor de sal, uma bela surpresa. De seguida, chegou a sopa de bacalhau lascado, tomate e ovo escalfado, em pão torrado. Boa apresentação, com pasta de azeitona a dar um colorido diferente e um delírio de sabores tradicionais, quase uma refeição, onde triunfava nas papilas gustativas o tomate, a cebola e o ovo, com bons temperos e que casava, na perfeição, com o tempo chuvoso que permanecia na rua.
Completamente reconfortado, já sabia que iria aparecer outro prato: o bacalhau à gaúcho é um prato em que uma boa dose de bacalhau islandês aparece bem trabalhado, “à braga”, com cebola cortada de maneira rústica, batatas fritas caseiras bem fininhas, pimento e maionese de lima. Mas o twist da lima, ralada, por cima dá um toque bonito ao prato e muito agradável ao paladar. Tudo no ponto!
Já muito satisfeitos, optámos pela gulodice. E numa opção que já começa a ser tradicional na nossa região, o restaurante permitiu um “pijama” de três doces – qual deles o melhor: Tarte Banofi (uma base de biscosto, banana, caramelo e crocante) com apresentação cuidada, um crumble de maça desconstruído e uma mousse de chocolate com azeite do Douro.
Completamente a “rebolar”, conversei um pouco com o André Vilela. Nado e criado em Lisboa, estudou na Escola de Hotelaria do Estoril, em Restaurante/Bar. Fez o seu tirocínio com grandes nomes da restauração e foi alargar horizontes em projetos em Inglaterra, onde foi somando lugares, formações e conhecimentos.
Veio para a nossa região, onde os seus familiares têm raízes mas, se calhar pelo nosso espírito, ainda foi para os mares, entrando na dura mas ao mesmo tempo proveitosa vida do circuito de cruzeiros. Finalmente, meteu âncora na Costa Nova e, com uma jovem equipa, onde se realça a dupla de chefes João Campos e Ana Rita Ferreira, estão prestes a dar a conhecer uma carta onde pratos com “toque” de chef e cheios de imaginação irão ombrear com os tradicionais. Mas sempre com um twist! A (re)visitar em breve!
Iguarias – Food & Drinks Avenida Nossa Senhora da Saúde, Costa Nova
terça a sábado 12h00~15h00 . 19h00~22h00
domingo 12h00~16h00
Reservas: 914 415 244








Fui provar a experiência gastronómica proporcionada pela Gastronomia de Bordo mas antes dei uma vista de olhos à carta. Ou melhor, às cartas. Os pratos apresentam-se com o predomínio do bacalhau (em todas as suas formas) e dos peixes frescos, os verdadeiros senhores da lista, que ainda arranja espaço para satisfazer os apetites carnívoros através dos bifes e de uma ou outra espetada. A grelha fica satisfeita com os peixes do dia, que dependem da maré e da lota, ali perto. Nos pratos para partilhar, há espaços para os inevitáveis arrozes com línguas, gambas e tamboril e a caldeirada de enguias… Só a lista (e as sugestões do Chefe, escritas na lousa) já convida a voltar a este espaço. Em relação à carta de vinhos, deixamos para uma segunda visita a apreciação, pois está em fase de mudança, no final do ano. Para já cumpre a função, com predomínio do Alentejo e dos Duros e uma correcta presença dos Dãos. E com a crítica – pessoal – de existiram apenas duas referências da Bairrada em tintos, outras tantas em branco e em espumante.
Entretanto, começou o desfile: a punheta de bacalhau vinha na broa feita com farinha de salicórnia sem falha dos ingredientes fundamentais: a cebola, o alho, e a qualidade do mesmo. Aliás, o bacalhau vem todo da Mar de Barents e a Salicórnia da Horta da Ria, fornecedores bem presentes nos pratos. A segunda entrada, que estava no ponto, eram lombinhos de bacalhau em polme panados com farinha de salicórnia. Saborosos, marcharam com enorme rapidez 
A caldeirada de lombos de bacalhau estava extremamente generosa em quantidade e sabor. Aromas e sabores correctos, com os ingredientes tradicionais e qualidade, numa dose que daria para dois! Pelo que ficámos a saber, durante esta semana há a oportunidade de trocar a caldeirada pelo arroz de línguas – mas eu já não tinha estômago para isso!
Na sobremesa, a pannacotta de frutos vermelhos e mel – onde os mirtilos lideram – estava perfeita para desenjoar. Tudo equilibrado numa bonita apresentação!
O Estrela do Mar surgiu na Alemanha, mais concretamente em Hamburgo. cidade onde o casal Manuel e Fátima Silva estavam emigrados. Há 17 anos voltaram e abriram este “Estrela do Mar” pela Gafanha, de onde eram naturais. O Domenic Silva, actualmente com 24 anos, veio com os pais, por ser pequeno, e pode dizer que cresceu com a casa. De um curso de bare sala, arriscou, com o beneplácito paterno e materno, meter-se a cozinheiro. Depois de três anos de formação, é ele que vai dando novas ideias à carta, sendo que a mãe continua a reger os tachos e os princípios são claros: pratos tradicionais, da região, com boa qualidade e com preços justos, equilibrados para a casa, para o local e os seus clientes.
Uma casa que merece a visita, que nos deixa satisfeitos e com vontade de ir provar os peixinhos, as caras fritas, as gambas flamejadas e mais umas coisas com aspecto delicioso!
Estrela do Mar Avenida José Estêvão 365 B, Gafanha da Nazaré
segunda a sábado 12h00~15h00 . 19h00~22h00
Reservas: 913 378 854

O Município de Ílhavo tem uma longa história associada à pesca do Bacalhau, que por estas bandas se chama a “Faina Maior”… Os pescadores e os marinheiros de Ílhavo, ao longo dos tempos, viajavam em navios, primeiro à vela e depois a motor, para o pescar até aos mares do norte, nas costas do Canadá e da Gronelândia, principalmente, para capturar o bacalhau-do-Atlântico (o Gadus Morhua), aquele que é considerado o verdadeiro bacalhau.
Nestas campanhas de pesca, que chegavam a demorar seis meses, os cozinheiros tentavam atenuar o cansaço e a saudades da família com comida reconfortante, como a chora, uma sopa preparada à base de cabeças de bacalhau. Também faziam parte do cardápio as feijoadas ou o feijão assado, o “pão da pana”, o “queque dos domingos”, entre outros pratos que incluíam as partes então consideradas “menos nobres” do bacalhau e também conhecidas como “derivados”: caras, línguas, samos, espinhas, etc… A culinária dos navios bacalhoeiros esteve sempre condicionada pela tecnologia disponível a bordo (e desde logo com a introdução do frigorífico, apenas na década de 30 do século XX) e as técnicas de conservação dos alimentos que, em cada época, era possível ter a bordo.
Mas em Ílhavo sempre houve pesca costeira e, desde que a ria se formou, a partir do século X, também a pesca lagunar, e, com elas, a influência na culinária local que se refletem nas Experiências Gastronómicas de Bordo que os 19 restaurantes participantes nos dão a conhecer…
O Festival Gastronomia de Bordo insere-se numa trilogia de festivais com o mesmo nome e que ocorrem também em Peniche (centrado na pesca costeira) e na Murtosa (27 de novembro a 1 de dezembro, centrado na pesca lagunar), municípios emblemáticos das pescas no Centro de Portugal e que se uniram no projeto Territórios com História: o Mar, as Pescas e as Comunidades.
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